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Recursos Humanos qualificados – um dos maiores desafios da atualidade da Hotelaria e da Restauração

Artigo de opinião de Joaquim Ribeiro, Vice-presidente da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Politécnico do Porto.


Enfrentamos uma época difícil em termos de contratação de mão de obra qualificada, naquele que é por todos considerado o grande motor da economia nacional: o Turismo, em toda a sua extensão e transversalidade.

Não raras são as vezes em que o setor se depara com a enorme dificuldade de contratação de profissionais qualificados nas áreas da Hotelaria e da Restauração, muito por força do que constatamos ser a “moderna” forma de vida dos jovens profissionais dos nossos dias.

Não é só o clima que está a mudar. Os novos profissionais são diferentes ou, pelo menos, distintos dos da minha geração. Não são piores nem melhores, são apenas diferentes, com um novo paradigma de “carreira profissional”.

Facilmente constatamos que a sua atual preocupação não se prende, efetivamente, com a construção de uma carreira ou a ascensão no posto de trabalho, tanto em Hotelaria como em Restauração.

São, claramente, mais imediatistas e pragmáticos, disponíveis para novas experiências e desafios, tendendo, por força disso, a aproveitar propostas de salários mais interessantes, mesmo que isso signifique embarcar numa experiência de curto prazo. E fazem-no, porque têm plena consciência de que com a falta de Recursos Humanos na Restauração e Hotelaria, facilmente regressam ao mercado de trabalho, caso o desafio em que embarcaram não corresponda, exatamente, às expectativas que haviam criado.

Sabemos que este é um dos setores com maior volatilidade, onde os empresários investem na formação dos seus colaboradores, acabando depois por perdê-los, bem como o investimento realizado, tendo que voltar ao início do processo vezes sem conta.

Mas sabemos igualmente que, no que concerne a referida formação destes mesmos recursos humanos, somos dos países onde a Academia mais tem contribuído com a criação de condições essenciais para proporcionar o desenvolvimento das competências que respondam às reais necessidades do atual mercado, potenciando assim o consequente reconhecimento desta nova geração de profissionais.

Resta, pois, definir e criar as condições laborais que levem estes novos profissionais a optarem pela permanência no seu país de origem, assim contribuindo para a sustentabilidade e crescimento contínuo deste setor da economia que tanto impacto tem tido no crescimento nacional.

Li há dias num documento de uma entidade de formação da área uma frase que, creio, espelha brilhantemente a realidade que enfrentamos e que não podemos, de forma alguma, descurar:

“Perguntava um CFO ao seu CEO:

- O que acontece se apostarmos na formação das pessoas e elas nos abandonarem?

Ao que lhe responde o CEO:

- E o que acontece se não apostarmos nelas e elas ficarem?”

Fica a pergunta para que se debata o tema, dada a urgência de reflexão sobre a matéria.

Autor

Joaquim Ribeiro

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