No passado dia 31 de março de 2026, o 1.º ano do Curso Técnico Superior Profissional de Turismo e Informação Turística, acolheu uma aula aberta para refletir sobre o fenómeno da massificação do turismo.
A sessão foi conduzida pela Mestre Juliana Gutierres, que apresentou um conjunto de reflexões e evidências sustentadas na sua investigação e em todo o seu conhecimento e experiência acumulada na área do Turismo.
Uma das reflexões prende-se com a ideia de que o problema do turismo reside na concentração excessiva de turistas a viver a mesma experiência, no mesmo lugar e ao mesmo tempo. Essa perspetiva centrou o debate na necessidade de redistribuir os fluxos dos visitantes e de adotar estratégias baseadas em “destinos inteligentes”.
Muitos territórios começam a preocupar-se com a sustentabilidade do seu turismo quando já enfrentam níveis de pressão insustentáveis. É com a massificação que surgem preocupações relacionadas com os impactes negativos, a capacidade de carga, a pressão sobre os recursos, a perda de qualidade de vida dos residentes e o empobrecimento da experiência turística.
Durante décadas, o sucesso do turismo foi medido em crescimento (mais visitantes, mais receitas, mais oferta, mais destinos). Hoje, essa lógica revela-se, para além de insuficiente, à luz do desenvolvimento sustentável, prejudicial para o bem-estar das diferentes partes. Impõe-se valorizar a qualidade em detrimento da quantidade, diversificar a oferta e criar novos fatores de atratividade em diferentes territórios. O desafio passa por transformar o propósito do turismo, mas para isso é necessária uma mudança de paradigma nestes destinos massificados.
A sessão revelou-se particularmente relevante por estimular o pensamento crítico dos estudantes, desafiando-os a questionar modelos de desenvolvimento turístico e a refletir sobre o seu papel enquanto futuros profissionais. Mais do que respostas dicotómicas, ficaram questões profundas e a certeza de que pensar o turismo hoje implica, inevitavelmente, repensar a sua missão.

